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domingo, 3 de abril de 2011

A história nas mãos do povo

Fui pra Belo Horizonte meio sem compromisso, esse fim de semana, e dei uma paradinha em Ouro Preto pra alimentar a curiosidade com a historia... Soube que o Museu da Inconfidência colocara alguns de seus livros antiquíssimos à disposição, para venda. Leis do Império, publicações periódicas centenárias de teorias e poesias, etc... tudo ali pra quem quisesse, a custos entre dois e dez Reais! Além da curiosidade com a história nas obras disponíveis, outra curiosidade me foi despertada. Por que  abriram mão daquelas peças? Mesmo que já tivessem outras iguais, mantidas em seu acervo, por que colocar à venda como banana, assim? Por que não guardar, fazer leilão, ou distribuir entre outros museus, bibliotecas, escolas ou universidades... Muito trabalho pra guardar, ou cuidar? Inviavel a distribuição? Difícil a seleção?
Mas depois de pensar um pouco, mudei a perspectiva do meu questionamento. Assim como eu, estiveram varios curiosos por lá, de olhos arregalados, dedilhando os índices, vendo quais os registros disponiveis, de que ano, de que marco na história... Alguns da recem-criada República brasileira (1890), outros entre os anos da Revolução Farroupilha (1840!). Outro, ainda, de quando o Brasil tinha apenas um ano de independência (1823)!! Olhavamos muito interessados, tentando selecionar alguns pra guardar com muito zelo em bibliotecas caseiras. Assim, por que não disponibilizar-nos os livros? Espalhados os registros entre os curiosos de plantão, a história está bem guardada... nas mãos do povo.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Página 56, quinta frase

Transcrevo uma reflexão de Lewis, lida por causa de um joguinho no Facebook:

"Não é questão de opinião
O que estou tentando fazer aqui é evitar que se diga a maior tolice que muita gente diz por aí a respeito de Cristo: "estou pronto para aceitar Jesus como um grande mestre da moral, mas não posso aceitar a sua reivindicação de ter sido Deus". Isso é algo que não devemos dizer. Um homem que fosse simplesmente um homem e dissesse o que Jesus disse não seria um grande mestre da moral. De duas uma: ou ele seria um lunático - do mesmo nível do homem que diz ser um ovo cozido - ou então seria o próprio Diabo. Você terá que fazer a sua escolha. Ou ele seria, como é, o Filho de Deus, ou então um louco ou algo pior. Você poderia prendê-lo num manicômio, cuspir na cara dele ou matá-lo como a um demônio; ou então, poderia cair aos seus pés e chamá-lo de Senhor e Deus. Porém, não me venha com essas bobagens moralizantes sobre ele ter sido um grande mestre humano. Ele não nos deixou escolha. E nem pretendia deixar."
(LEWIS, Mere Christianity (Cristianismo Puro e Simples) - citado em Um Ano com C. S. Lewis, p. 56. Ed. Ultimato)

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Vidas secas, ramos e graça...

Li Vidas Secas esse ano, de Graciliano Ramos. Um presente muito especial que ganhei de uma amiga. A leitura foi agradável e rápida, e me choquei quando cheguei no final. Não apenas pelo fim da leitura. Mas também pelo sentimento de contrição, ao ver a fotografia escrita de uma realidade tão irreal pra mim... o desenho em palavras das nossas mazelas sufocadas aqui tão perto...
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 As palavras fazem curvas na narrativa de Graciliano Ramos, que descreve o sertão de um velho homem de braços finos, estendidos no labor sob o sol de secura... da mulher de pernas secas, que assiste os filhos de futuro incerto... e dos filhos de natureza confusa, que olham o horizonte avermelhado... lembrando de uma cadela que guardava o afeto de todos...
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O futuro se dispersa... como os ramos de uma árvore seca apontando ao vasto céu de eternidade... E, de novo, se encontra... como o tronco desta árvore, padecido na secura desta terra... Há vida nova, muito além desta, seca...  A graça dos ramos se encerra em "um mundo cheio de preás"... nas palavras de Graciliano Ramos. De vermelho a azulado, vasto céu de eternidade...