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quarta-feira, 15 de julho de 2015

Quando acordei, vi na janela um quadro pintado de cores confusas... Uma neblina branca cobria o vale da cidade até a altura do topo do morro. O morro aparecia discretamente, mostrando apenas o fusco das árvores mais altas, sob o anúncio do sol... O sol riscava uma faixa amarela no horizonte, que dissolvia a noite do alto céu escuro...
Às seis da manhã a gente acorda meio confuso, entre a passividade da noite e a encenação do dia... Enquanto ainda me lembro dos sonhos de durante repouso das minhas emoções, a razão logo dissolve tudo e me exige postura. Não sei bem que razão é essa, que intuo sem possuir. Mas aquela faixa amarela de sol, entre a neblina da minha mente e a escuridão do meu contexto, me revela algum horizonte vivo, duradouro, e muito mais constante. Não... eu não sei bem o que espero daquela linha no horizonte... Mas posso notar que ele é belo... e é pra lá que devo seguir.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Realidade

Onde estou
Aqui
Onde estou aqui
Onde
Estou aqui onde
Estou
Aqui onde estou
Aqui onde
Estou aqui

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Quem precisa de cura?

Participei na última sexta-feira da reunião de uma associação que está se formando em Viçosa com a finalidade de combater a corrupção no município. Embora a idéia não fosse parte da onda de protestos no país durante a semana, a experiência serviu muito bem pra se pensar nossa inserção política. Durante a reunião, enquanto apresentavam experiências de outras associações semelhantes pelo Brasil, um dos dirigentes provocou-nos a pensar que somos todos igualmente corruptos. Para tanto, chamou a frente um dos líderes do movimento colocando-o diante do seguinte dilema: “Imagine-se ao lado da bifurcação de uma linha férrea, tendo às mãos a alavanca que muda o sentido da bifurcação a ser seguido pelo trem. O trem se aproxima em velocidade acelerada enquanto, num sentido da linha bifurcada, sobre os trilhos, encontra-se um trabalhador ferroviário abaixado, e no outro sentido encontra-se um grupo de estudantes distraídos num protesto. O trem inevitavelmente seguirá um dos dois sentidos e você, com a alavanca nas mãos, deve decidir para qual deles. Após pensar um pouco na situação, o cara respondeu: “Eu o direcionaria no sentido do trabalhador ferroviário já que assim o trem atropelaria apenas uma pessoa, e não um grupo. ” Aí o dirigente, após confirmar que esta era a atitude mais ética e correta a se fazer, continua: “Agora imagine se no lugar daquele trabalhador estivesse o seu filho, com cinco anos de idade. Sua decisão deve ser rápida.” O cara hesitou um pouco mas assumiu: “Eu o direcionaria ao grupo de estudantes...”. O dirigente encerrou deixando a lição que pra mudar o mundo é preciso primeiro enfrentar a si mesmo.

É difícil assumirmos, numa postura de humildade, essa nossa condição corrupta... A gente usa todo tipo de subterfúgio pra tirar de si a culpa. Mas o fato é que o mal que nos incomoda tanto lá fora, começa dentro de nós mesmos... Egoísmo/egocentrismo, roubo, ambição desenfreada, cobiça alheia, orgulho, ira... Quais são os seus pecados? Dívidas não pagas, impaciência com os filhos, ou com os pais..., "gatos" com fio de internet, atestados de má fé, trabalhos e provas copiados, desrespeito no trânsito, demagogia, falta de diligência e intrigas no trabalho... A lista é bem maior do que o número de pessoas que a assume. Houve uma ocasião, no início do século XX, em que o jornal London Times pediu que alguns escritores respondessem à pergunta: "O que há de errado com o mundo?" Um deles, G. K. Chesterton, filósofo e cristão católico, respondeu-lhes em quatro linhas:
“Prezados senhores,
Eu.
Atenciosamente,
G. K. Chesterton.” (Ortodoxia)

Aí eu me ponho, então, diante daquele dilema na linha férrea tendendo, é claro, à decisão corrupta. E imagino, associando o fato a um contexto político, se eu pudesse receber algum tipo de orientação popular, um conselho que seja, que me fizesse pensar e assumir a postura que seria ética fazer... Eu me arrancaria os cabelos... me jogava ao chão em prantos e, urrando angustiado... (não sei se realmente conseguiria) faria o correto... agindo contra a minha vontade...
Fonte: V de Vinagre

Ouvi neste domingo uma reflexão sobre um momento auge da vida de Jesus, em que ele passou por experiência semelhante, ou muito pior, no jardim do Getsemani. Jesus, sendo Deus, sabia que estava prestes a ser preso, açoitado e morto pelos soldados romanos. Recolheu-se ao jardim com mais três discípulos e também amigos que talvez pudessem lhe dar algum apoio. Pôs-se a orar, angustiado pelo que o aguardava. Pediu a Deus Pai que, se possível, evitasse o sofrimento que estava para acontecer. Os amigos que vieram em sua companhia dormiram... E ele mais angustiado, repetia “Pai, se for possível, afasta de mim este cálice. Mas que seja feita a sua vontade...” Como é dificil agir contra nossa vontade... Segundo relata a Bíblia, sua agonia era tanta que do seu suor passou a escorrer sangue pelo corpo. Instantes depois chegaram os soldados. Pedro, um dos discípulos, ergueu espada para o defender, ao passo que ele o ordenou de imediato que a abaixasse pois aquilo lhe devia acontecer. Somos ensinados que por este seu ato de entrega e sacrifício, hoje podemos nos libertar desta nossa condição tão falha. Bem... isso quando aceitamos que somos mesmo falhos...

Pois então... quanto a isto, houve outra ocasião em que Jesus, assentado entre pecadores, percebia uns que questionavam por que ele estava entre aqueles, e lhes respondeu alto: “Os sãos não precisam de médico e sim os doentes.” Os doentes... só os doentes precisam de cura... É o que penso quando percebo minha fraqueza... quando me ataca a ira, quando sou tentado à cobiça... Penso logo em assumir o meu erro e ir correndo em busca de cura. Afinal, só quem é são não precisa de cura. E só se eu assumir a minha fraqueza é que posso aceitar alguma ajuda pra fazer o que é certo. Ah! E é claro que só assim eu posso ajudar o outro também. E não me resta dúvida de que este é o caminho para minha vida. E esta é a verdade sobre a nossa sociedade.

domingo, 11 de dezembro de 2011

O Violoncelo...

Guardei na memória o sentimento vivido em minha primeira apreciação iconográfica. Foi recente, quando vi o quadro "O violoncelo...", de Sérgio Ramos. Senti a emoção de uma paixão a primeira vista... Aliás, à segunda vista... pois a primeira não me permitiu a percepção de sua beleza clássica, oculta entre os riscos de uma cidade... Um violoncelo perdido na cidade... curvas clássicas obliteradas pela geometria urbana... arte dissolvida numa era de excessos... Apenas o nome dado ao quadro é uma palavra tão bela que bastaria escrevê-la numa tela em branco e o autor já teria uma arte completa... Violoncelo... soa pra mim como uma poesia completa... uma poesia de uma palavra só... Uma palavra que dá nome a um instrumento de singela emoção humana... Mas a emoção embuída em seu símbolo, a doçura do seu nome, e até a dor que ecoa das suas cordas, foram todas aprisionadas na figuração deste quadro... A poesia do violoncelo foi transformada em imagem... E quantas palavras eu leio nesta imagem?... Enquanto olho quieto para o quadro, leio versos, prosas, romances e clamores... Vejo o agito das cidades e a quietude das almas... Sinto a força da usura e o peso das nossas maldades... cravadas e escondidas no fundo de belas edificações... Vejo a luta de gente humilde, e a busca de uma verdade que nos faz sofrer... Vejo a vida tentando renascer...  Muita coisa vejo na arte de "O Violoncelo"... Muita coisa... Mas me falta uma... ouvir o som de um violoncelo...

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Meu próximo, à distância...


Reencontro de 10 anos da ABU-Pós (Nov/2011)


 Amigos... É verdade o ensinamento bíblico que diz que há amigo mais chegado que um irmão... Embora pareça estranho, é agradavel essa curiosa proximidade dos amigos... Há amigos mais chegados que irmãos, que pais, tios, primos e até mais chegados do que uma esposa! E isso é muito bom... É bom porque se me bastasse só a amizade da família, até essa seria só família, sem amizade... sem o bom tempero da distância próxima de uma amizade... Os amigos são joias raras de se ver... A gente não vê os amigos todo dia. E o encontro de amigos é sinônimo de festa. É com os amigos que a gente encontra pra celebrar, pra brincar... e é com os amigos que a gente senta pra conversar... horas a fio... É com amigos que a gente põe a conversa em dia, depois de dias que não se teve amigos... Conversar com um amigo é falar noutro idioma, e ser compreendido... Só um amigo entende à distância... A amizade é um calor que aquece à distância, e faz a distância virar saudade, como um afeto de longe... Amigo é a outra pessoa que conhece a distância da gente... Amigo é outra pessoa que sente a distância da gente... E a distância de um amigo revela a proximidade de um afeto... O afeto de um amigo revela a proximidade de uma distância... A proximidade de um amigo é maior que qualquer distância... Tem amigo que é mais chegado que um irmão...

sábado, 15 de outubro de 2011

A vergonha do meu orgulho...

Se há um mal universal, nesse mundo tão ruim, e que persiste insistente sobre a nossa histórica luta pela paz, esse mal é o orgulho...

Orgulho tolo... e não é nada fácil escrever sobre ele. Até porque quem escreve é só mais um desses espécimes "virís", especialistas em esconder as próprias mazelas... Sim... eu sou mais um pobre orgulhoso... E se você não reconhece o seu orgulho, cuidado! Esse mal nos cega tanto que tendemos a esconder as nossas mazelas até de nós mesmos!...

Tamanha a tragédia, desse pecado capital... que é certamente o grande causador de tantos outros males, nessa humanidade perdida... Guerras entre as nações, violência nas cidades, assédios no trabalho, ganância nas igrejas e... rebeldias insanas pelas ruas... É... pior ainda é sair gritando pelas ruas, exibindo seus orgulhos... Orgulho de que?!
 
                                    By: Eula´s World
NÃO! Eu não tenho orgulho de ter orgulho!... eu tenho vergonha do meu orgulho... Eu tenho vergonha desse mal que aflige o homem que não assume a sua fraqueza... Eu tenho vergonha de não assumir meus próprios erros... vergonha de ser tão inconstante... vergonha de não me aceitar na simplicidade da criação divina... E que loucura é não aceitar isso!...

Que me perdoem as minhas amigas por uma confissão indecorosa... (minha esposa me conhece mais ainda... pior ainda...), mas preciso assumir que tenho uma trágica tendência à poligamia! (Isso é natural?!). Tamanha a loucura disso que, se nos faltasse mais vergonha, logo teria gente gritando nas ruas "Basta, de polígamo-fobia!"... Orgulho insano... Se bem que, na verdade, não acho que exista tanta fobia por isso não. Só uma culpa, mesmo. Algo pessoal... E penso até que "seria discriminatório, se tratassem os polígamos de forma diferente dos demais pecadores..." (Se você ainda não entendeu minha confissão, eu sou um pecador! E que o meu orgulho não me esconda essa verdade...). Aliás, dizem os psicólogos que o orgulho nada mais é que uma auto-defesa dos nossos complexos e culpas...

Pois, então, eu prefiro assumir a minha culpa, e preservar a sanidade sobre a vergonha do meu orgulho... a sobre-sanidade de me pensar além do meu próprio entendimento... além da minha (in)capacidade de me entender, nessa condição tão miserável... além dos meus desejos insaciáveis, além de mim mesmo... Contra esse orgulho, eu ainda tento me negar... E negar-me, a mim mesmo, é a maior afronta ao meu orgulho...

Negar-se a sí mesmo é o maior desafio para os que querem "amar-vos, uns aos outros"...

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

primavera e casamento...

Num dia de primavera...
acordo cedo pra sentir a brisa na janela,
anunciando a renovação da natureza...
Depois de tanto frio,
tanta seca,
tanta poeira acumulada,
e uma paisagem amarronzada na floresta...
enfim...
promessas de chuvas,
de clima suave...
árvores verdes
e mangas doces pra me lambuzar na sobra fresca...

Num dia de primavera...
eu sento quieto numa grama molhada,
pra vislumbrar um horizonte claro e cheio de vida...
pra não deixar morrer meus resquícios de esperança...
enquanto lamento as folhas secas que cairam,
as lágrimas frias que escorreram...
e as mazelas ocultas que foram desnudadas
dentre os galhos daquela árvore que se renova... 

Num dia de primavera...
eu me ponho a sonhar...
olhando para a terra, de onde brota a vida...
num pedacinho de terra, onde projeto a vida...
Enquanto a vida luta pra viver
na secura desta terra...
eu vislumbro uma árvore grande
e cheia de flores, no futuro,
enfeitando uma casinha simples,
onde vejo sol nascer...

Num dia de primavera... 
eu encontrei uma mulher de branco... 
com nome de graça...
assentada numa praça
com nome de liberdade...
mas que também podia ser...
eternidade...
E enquanto eu vislumbro quem será esta pessoa...
por trás daquela imagem bonita,
que se conhece no casamento...
eu alimento minha esperança
com o que haverá além do horizonte...
além dos dias maus...
que se renovam  
num dia de primavera...

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Momentos...

"Tô precisando viver fortes emoções"... dizia a postagem de uma amiga, com o comentário: "o problema é quando vira rotina, fica entediante"... Pensei em comentar também, mas meu dedo rolou abaixo, no mouse, antes que minha mente fosse capturada por alguma proveitosa reflexão... Até que, logo abaixo, outra postagem dizia: "A vida é feita de momentos..."    momentos...    momentos...    momentos que ecoam friamente na memória, enquanto assisto a vida atropelando feroz as carências da minha alma...

Até quando duram aqueles momentos? Até quando duram minhas fortes emoções, que me fazem vibrar radiante como a corda grossa de um violoncelo que soa perdida pelo ar...? Até quando... Até onde irei com essa minha insaciedade, sempre querendo mais do que a simples trivialidade de uma natureza completa? Até quando buscaremos a mudança do que é bom, o aumento do que já basta, mais comida do que sacia, trocar de carro porque tá velho, de celular porque tá ultrapassado, de computador porque a tecnologia já superou a sua própria capacidade de suportar-se a si mesma...?


O casamento já não dura, o namoro nem começa, e "ficar", quando perde a graça, causa um vazio grande em quem não quer "ficar" sozinho... Por que não dura? Por que não pode ser profundo o relacionamento de quem não quer apenas ver, mas quer conhecer... bem além daquela maquiagem borrada de lágrimas frias...?

Viajar... não tem graça se passar de uma semana... Um dia já basta pra conhecer o Coliseu, porque o importante mesmo é ter um carimbo romano no passaporte... E o turismo virou uma epidemia gostosa pra quem só quer ver, sentir, passar por pequenos momentos vazios..., numa imensa eternidade do ser...

Mas se não te basta ver, chega perto e toca! Pegue na ferida de quem te chama pra ser teu amigo... Se relacione com as mazelas de quem te feriu... Demore onde está, até que o "estar" se transforme em "ser"... E seja... muito mais do que em momentos frios de uma vida sem sentido... Seja, por toda a eternidade...

terça-feira, 17 de maio de 2011

um rio parado...

Imagine um rio parado... Não é uma represa, nem uma lagoa. E não é um mar sem fim... É um rio grande, com nascentes e fozes, e há um belo encontro com o oceano no final. Mas o rio está parado... Tem um canal acidentado, de curvas serpentinas desenhadas na floresta. Tem longas ladeiras abaixo e loucos penhascos em quedas livres. Mas o rio está parado... Há pedras grandes e pequenas no seu leito. ...muitas pedras no caminho... sedimentadas no fundo... sem sentido algum... E a água vê bem ali o seu desafio. Mover as pedras, cortar as pedras, moldar as pedras... como arte em massa de modelar. Mas a água está parada... e as pedras não tomam forma de nada... Alguns ramos surgem sem graça no fundo do rio, lá de dentro da terra, e crescem na água feito sujeira... Água suja... que deixa crescer o lodo naqueles galhos velhos, que vivem sem vida no fundo do rio... A água tem vida, só não tem movimento... e o rio continua parado... Um monte de peixes esperam seu movimento pra seguir o fluxo da água viva, ou pra nadarem contra a correnteza... Mas a corrente não vem, e eles ficam inquietos, sem destino e sem sentido... porque o rio está parado... deitado naquele largo leito inerte... e não segue seu caminho... O vento sopra pra lá e pra cá, batendo na superfície de boa aparência... Mas a água nem se mexe... e fica só refletindo algo fora de si... dentro de si... como um espelho fundo... negro e fundo... por baixo da superficie de um rio parado... Pra que serve esse rio? Pra que serve, seu pescador, um rio parado?... E o pescador assiste ali, parado, aquele espelho d'agua... com seu anzol repousando no fundo, feito âncora de um navio que não sai do lugar...

domingo, 3 de abril de 2011

A história nas mãos do povo

Fui pra Belo Horizonte meio sem compromisso, esse fim de semana, e dei uma paradinha em Ouro Preto pra alimentar a curiosidade com a historia... Soube que o Museu da Inconfidência colocara alguns de seus livros antiquíssimos à disposição, para venda. Leis do Império, publicações periódicas centenárias de teorias e poesias, etc... tudo ali pra quem quisesse, a custos entre dois e dez Reais! Além da curiosidade com a história nas obras disponíveis, outra curiosidade me foi despertada. Por que  abriram mão daquelas peças? Mesmo que já tivessem outras iguais, mantidas em seu acervo, por que colocar à venda como banana, assim? Por que não guardar, fazer leilão, ou distribuir entre outros museus, bibliotecas, escolas ou universidades... Muito trabalho pra guardar, ou cuidar? Inviavel a distribuição? Difícil a seleção?
Mas depois de pensar um pouco, mudei a perspectiva do meu questionamento. Assim como eu, estiveram varios curiosos por lá, de olhos arregalados, dedilhando os índices, vendo quais os registros disponiveis, de que ano, de que marco na história... Alguns da recem-criada República brasileira (1890), outros entre os anos da Revolução Farroupilha (1840!). Outro, ainda, de quando o Brasil tinha apenas um ano de independência (1823)!! Olhavamos muito interessados, tentando selecionar alguns pra guardar com muito zelo em bibliotecas caseiras. Assim, por que não disponibilizar-nos os livros? Espalhados os registros entre os curiosos de plantão, a história está bem guardada... nas mãos do povo.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

(Postagem sem título)

Vulnerabilidade
Desigualdade
Comunidade
Paternidade
Sinceridade
Publicidade
Felicidade
Castidade
Caridade
Vaidade
Cidade
Idade
da pedra
que rolou
no véu da noiva
e caiu
no vale do rio
cheio de água
que despencou do céu
e soltou as pedras das montanhas
que ficaram lá
sedimentadas
no fundo do coração.
As palavras são como pedras no meu coração...
Isso acaba com o cristão
Desilusão emagrece
tristeza tira o apetite
Nem toda palavra é
ação ou reação
razão ou emoção
As reticências são gotas de lágrimas que molharam um caderninho de folhas secas
que caíram
da árvore frondosa
que não tinha raiz
e caiu
por causa das chuvas
que caíram
por causa do sol
que revela o verão
visto no futuro,
passado da primavera
quando forma o meu irmão
num canto escuro no quarto...
Um diploma de Doutor Honoris
causa
vergonha pro sinhô
do carro de boi
e de vaca
ou do carrinho de bode
da criança que chama bebê.
Diploma pra quê?
Pra que arte
na parte de baixo
do que tá em cima
feito pirâmide do Egito
com teto de vidro...
Do outro lado da vida,
outro irmão e a infância.
O mundo é mais maduro do que parece.
Desencana, Wilde!
Muita coisa boa nessa vida
de excessos...
de coisa boa
de coisa a toa
na sociedade
que não se cuidou...
E a terra deslizou
e me sufocou...
a xícara quebrou...
Quebrou a xícara!
E se eu colar de novo,
vai ficar a marca
do passado
no presente
de aniversário
que era pra lembrar
no futuro
do presente
passado
trincado
machucado
Que remédio que cura?
Impureza sexual: tem cura?
Os sãos não precisam de...
violoncelo.
Mansa contradição
de um coração em contrição...

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Era dos excessos...

Alguns números observados há uns dias em minha caixa de emails me chamaram a atenção:

Em 2007 recebi 298 emails;
em 2008, 509 emails;
em 2009, 1194 emails;
e em 2010, 2203 emails.

Já invadimos 2011 a dentro... e em um fim de semana que fiquei sem acessar a internet, minha caixa virtual encheu até o limite dos meus resquícios de esperança de ter um ano mais organizado e de realizar mais em 2011...

Isso é um pouco da paralisia que sofremos dessa era dos excessos! Todos nós... vítimas que somos, da falta de ação do excesso de informação...

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

A casa caiu...

Enchente invade e destroi porta de igreja
Era dezembro, há poucos dias, e várias luzes se acendiam nas cidades, não sei bem se pra iluminar mais ou ofuscar algo no fim de ano... Parecia que queriam nos convencer da superação de algum mal, pra entrarmos cegos e negligentes nesse ano que já não é mais tão novo. A tradição em volta das igrejas se mantinha de peito estufado,  mas vulnerável como castelinho de areia. A mesma natureza que virou o eixo da terra pra fazer nascer um ano novo, anuncia com as chuvas que ainda somos naturalmente humanos e fracos.

 A Globo iniciou, por esses dias, um empenho jornalístico para nos mostrar algo de belo em nosso país em algumas reportagens que chama de Globo Natureza. A reportagem do Jornal Nacional de hoje (12 de jan.) não foi ao ar, considerando maior tempo dedicado às notícias das tragédias no Rio de Janeiro. Penso que essas notícias poderiam ser integradas à programação do Globo Natureza. É tudo natureza... que foi criada de uma forma muito boa..., mas sofre uma perversão na sequência ininterrupta de tragédias. Essa convergente contradição foi expressada na fala de uma repórter, que disse: "a beleza natural da região esconde uma grande fragilidade por debaixo", que também é natural.

Gostaria de postar reflexões mais sociais nesse blog, mas ando olhando muito pra dentro de mim nesse início de ano, como as asas fechadas de uma borboleta a toa... Bem lá debaixo de uma casca natural tem muita fraqueza em mim, instalada em uma história de 28 anos, que não vejo como corrigir... E ver às tragédias anunciadas hoje no jornal, era como assistir às novelas que encenam o mal residente em todos nós. A falta de planejamento histórico no meu país é bem semelhante à minha falta de cuidado, desde que me entendo por gente... pelo que hoje luto com uma natureza própria, boa ou feroz...

Não é culpa das chuvas, não é culpa do Prefeito, não há culpa de réus, que essas tragédias reincidam ano após ano. É culpa de uma sociedade inteira que não se cuidou contra um mal que se instalou em uma história de 511 anos, ou mais... Não é culpa dos raios que partam os perfeitos, não é culpa de Deus que minhas mazelas se repitam por conscientes enganos... É culpa minha, enquanto eu não decidir lutar contra um mal que se instalou na minha natureza há incontáveis anos, não mais.

Fiz estágio na Defesa Civil, durante a graduação, e lá diziam muito que tinha que demolir as casas defeituosas e construir de novo. A lição pra mim, eu li num velho livro que dizia que precisamos nascer de novo... Será possível?!

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010


Eu já devo ter repetido algumas vezes bons desejos para 2011 aos amigos, sem expressar com mais sinceridade, e um pouco de egoísmo, talvez, o cansaço que sinto, enquanto conto as ultimas gotas que ainda restam deste longo ano passado... Não sei se foi longo temporalmente ou pelo fardo que alonga a caminhada... Mas que bom que está acabando porque eu preciso urgente de um ano novo, pra tentar de novo, pra me renovar! Drummond expressou bem o que sinto:

"Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão pra qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para diante, vai ser diferente."

Só não me basto muito da ideia de uma esperança industrializada... como produto enlatado, bem delimitado em um pequeno espaço físico e prazo de validade. Me sinto mesmo como sardinhas numa lata, esperando um final qualquer... E aquelas mesmas fatias que me permitem renovação ano após ano, me angustiam pela falta de tempo, dia após dia... As vezes me perco entre as doze horas do dia ou da noite. Mas é pior quando me confundo entre doze horas quaisquer ou doze meses do ano... Sabem la, quem estuda os astros, que divisão de tempo é essa... Mas o que eu busco entender, afinal, é por que nosso tempo é tão limitado, se o tempo continua andando, nunca acaba, e nunca começou! Porque somos tão limitados se são infinitos os minutos, dias, meses ou anos? Alias, infinitos não, eternos!...

Ah, sim! Falando de eternidade, acho melhor firmar lá a minha esperança! É... assim parece melhor. Sem me esquivar de lutas e cansaços, e até ensaiando umas renovações, dia após dia, ano após ano... Mas sigo assim esperando quando eu não precisarei mais ensaiar, porque não precisarei mais lutar ou cansar...! eternidade...Vamos juntos?


Por enquanto, feliz 2011!