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sábado, 10 de maio de 2014

"Descobri de onde vem a vida... por onde entrei deve haver uma saida..." Viajando nesses versinhos do Teatro Magico, tirei uma liçao importante. É o amor que concebe a vida! E nele vou achar sentido aos desvaneios das minhas trilhas... Seja como for que você o compreende, é sempre por esta forma romantica ou àspera, concisa ou esparsa, de se unir duas pessoas, que se forma uma terceira pessoa. E é por esta forma estranha de se germinar sementes na barriga, dividir nutrientes do organismo, desalinhar as formas do corpo... enfim, de se sacrificar que se gera outra vida. Assim cresce a humanidade. Uma liçao singela que pude apreciar na maternidade adentrando minha casa, e que agradeço à Graziele por ter me demonstrado isso tao de perto. Por que fez? Certamente nao foi por qualquer prazer ou satisfaçao propria, exclusiva. Mas pelo outro, somente. Por amor... E ai penso, entao, que minha mae fez isso um dia por mim também... Da pra dizer hoje com muito mais entendimento, mae: muito obrigado! E parabéns a vocês todas!

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Meu próximo, à distância...


Reencontro de 10 anos da ABU-Pós (Nov/2011)


 Amigos... É verdade o ensinamento bíblico que diz que há amigo mais chegado que um irmão... Embora pareça estranho, é agradavel essa curiosa proximidade dos amigos... Há amigos mais chegados que irmãos, que pais, tios, primos e até mais chegados do que uma esposa! E isso é muito bom... É bom porque se me bastasse só a amizade da família, até essa seria só família, sem amizade... sem o bom tempero da distância próxima de uma amizade... Os amigos são joias raras de se ver... A gente não vê os amigos todo dia. E o encontro de amigos é sinônimo de festa. É com os amigos que a gente encontra pra celebrar, pra brincar... e é com os amigos que a gente senta pra conversar... horas a fio... É com amigos que a gente põe a conversa em dia, depois de dias que não se teve amigos... Conversar com um amigo é falar noutro idioma, e ser compreendido... Só um amigo entende à distância... A amizade é um calor que aquece à distância, e faz a distância virar saudade, como um afeto de longe... Amigo é a outra pessoa que conhece a distância da gente... Amigo é outra pessoa que sente a distância da gente... E a distância de um amigo revela a proximidade de um afeto... O afeto de um amigo revela a proximidade de uma distância... A proximidade de um amigo é maior que qualquer distância... Tem amigo que é mais chegado que um irmão...

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

primavera e casamento...

Num dia de primavera...
acordo cedo pra sentir a brisa na janela,
anunciando a renovação da natureza...
Depois de tanto frio,
tanta seca,
tanta poeira acumulada,
e uma paisagem amarronzada na floresta...
enfim...
promessas de chuvas,
de clima suave...
árvores verdes
e mangas doces pra me lambuzar na sobra fresca...

Num dia de primavera...
eu sento quieto numa grama molhada,
pra vislumbrar um horizonte claro e cheio de vida...
pra não deixar morrer meus resquícios de esperança...
enquanto lamento as folhas secas que cairam,
as lágrimas frias que escorreram...
e as mazelas ocultas que foram desnudadas
dentre os galhos daquela árvore que se renova... 

Num dia de primavera...
eu me ponho a sonhar...
olhando para a terra, de onde brota a vida...
num pedacinho de terra, onde projeto a vida...
Enquanto a vida luta pra viver
na secura desta terra...
eu vislumbro uma árvore grande
e cheia de flores, no futuro,
enfeitando uma casinha simples,
onde vejo sol nascer...

Num dia de primavera... 
eu encontrei uma mulher de branco... 
com nome de graça...
assentada numa praça
com nome de liberdade...
mas que também podia ser...
eternidade...
E enquanto eu vislumbro quem será esta pessoa...
por trás daquela imagem bonita,
que se conhece no casamento...
eu alimento minha esperança
com o que haverá além do horizonte...
além dos dias maus...
que se renovam  
num dia de primavera...

terça-feira, 8 de março de 2011

O sexo dos sexos

No dia da mulher, resolvi não falar de mulher, mas falar de mulher e homem. Porque um não existe sem o outro (e vice-versa!).

Eu era um adolescente besta... e quando me davam formulários de identificação pra preencher com a pergunta: "Sexo", e eu respondia: "é bom!"...Trocadilho bobo que eu fazia entre gênero e sexualidade (embora, para alguns, nem sempre sexo e gênero seja a mesma coisa...). Não que eu já tivesse experiência pra dizer aquilo, mas nossas concepções se formam em torno da lógica pré-existente.  E, aliás, o trocadilho é lógico... mas muito interessante!

Falar de sexo não é só falar de estímulos físicos, químicos, hormonais... ou combustões humanas!, e muito prazerosas... Mas, antes disso, é também falar de homem e de mulher! Seres tão contraditórios que se combinam perfeitamente!

Escrevi sobre o carnaval semana passada, referindo-me a alguns problemas nas formas como muitas pessoas lidam com a sexualidade nessa época (a proposta foi... cair em contradição!). E afirmei criticamente que "o carnaval junta uma coletividade de satisfações egoistas...". De que se trata a crítica?
É perfeita a criação desses seres tão "antagônicos", homem e mulher, mas que se completam tão bem! E isso nos revela muito bem um propósito de nos completarmos, enquanto seres humanos, equilibrando as nossas diferenças com as dos outros (não apenas sexualmente, claro). É assim que acontece entre homem e mulher, de forma que as diferenças se... encaixam!

Mas falar de... diferenças..., se realmente queremos tratá-las, é falar de confrontos profundos... só trabalhados com muito compromisso de abnegação (não é o que acontece no carnaval... né?). E esse processo não é nada atraente, nada prazeroso e não dura um feriado! Assim, a não ser que eu realmente me comprometa a passar por duras negações para me relacionar verdadeiramente com a otura pessoa, eu posso estar apenas buscando uma relação egoísta para uma satisfação pessoal e, contraditoriamente, usando outra pessoa pra isso. É o que vivemos no dia-a-dia: relações sem relacionamentos... Há boas oportunidades de relacionamentos por aí... mas preferimos relações, apenas.

Mas uma palavra descreve melhor o que chamo de relacionamento ou compromisso aqui. E essa palavra é amor. Assim, para falar de sexo, ou de sexos, é preciso falar de amor. Não como um sentimento ilusório, uma pulsão química ou sei lá o que. Mas como uma atitude. Não é romantismo. É bem sério e difícil. Mas, acredite, é possível e, no final das contas, logicamente, "é bom!".

Aproveito, então, para manifestar o quanto é bom viver este amor com a mais bela, e mais... diferente, de todas as mulheres: Graziele (agora isso..., sim, é romantismo puro mesmo!).

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Seu Luiz e Seu Vavá... muita história pra contar...

Os negócios da semana já começavam a todo vapor, na segunda-feira de manhã, mas a viagem de volta para o trabalho ainda seguia apreensiva, ate que os defeitos de mecânica da caminhonete acusaram que não chegariam no horário previsto. A Marmoraria Rocha Nobre aguardava a chegada do seu empresário, que arriscara a viagem ciente dos prejuízos comerciais para passar um fim de semana em família. O defeito eminente manifestou-se em plena descida, na rodovia, permitindo que seguissem por uns poucos quilômetros ate encostar o carro num posto de gasolina, vizinho a uma comunidade, na região de montanhas e rica em metais nobres, no interior de Minas.
Seu Luiz desceu do carro um pouco preocupado com o atraso para os negócios, já conhecendo o defeito grave do veículo, e perguntou se por ali tinha algum mecânico especializado pra trocar a peça quebrada. A resposta dos vizinhos não lhe dava muita esperança: “Quem mexe com isso por aqui é só o Seu Vavá, mas é cabra ruim de lidar... e não vai querer fazer isso pro senhor não!” Apesar da falta de grana pra convencer o tal cabra a fazer o serviço na hora, e ciente do risco de não encontrar outra peça nova pra trocar, Seu Luiz não tinha outro recurso a não ser conversar com o velho, pedindo ajuda.
Seu Vavá o recebeu mal humorado e respondeu, resmungando, o que já tinha sido anunciado pelos vizinhos: “Num faço não! É serviço apertado demais... e... tem uns trinta anos que eu trabalho pra burro nesse troço sem conseguir nada nessa vida...”. Seu Luiz não precisou pensar muito e nem usou qualquer habilidade persuasiva pra responder o que lhe parecia lógico: “Uai, tem trinta anos que ocê tá trabalhando aqui e não conseguiu nada? Como foi que cê se manteve esses trinta anos, sô? Foi com isso aqui que ocê viveu, sustentou a família e tudo mais, uai!... o sinhô tem filhos?” E o cabra respondeu, orgulhoso, já mudando o semblante resmungão: “Tenho sim. Tenho três, que já tão criado, trabalhano fora. Tem dois que trabalham na Vale e outro que é engenheiro formado, que ta trabalhano também.” A resposta mais amigável já puxou a conversa entre os dois que se identificaram na dificuldade dos negócios e satisfação na família. Até que o Seu Vava interrompeu: “Ô sô... peraí que eu vou ver uma coisa ali que vai resolver seu problema!” Foi lá dentro e voltou com uma peça nova, satisfeito pra fazer o conserto necessário para o seu amigo seguir viagem.
Depois de algumas horas no conserto, Seu Vavá cobrou pouco pelo trabalho e deixou fiar o pagamento da peça pra quando o empresário chegasse ao destino. Chegou tarde e os negócios não renderam milhões... Mas nada que o impedisse de ligar de volta perguntando o preço da peça, que o velho não queria falar. “Que nada, sô. Deixa que quando eu for em belorizonte ocê me serve um cafezin.” E ficou assim. O trabalho não rendeu tesouros além do que se tem no coração. E mais valeu o afeto guardado no peito, de quem buscou numa rocha a nobreza dessa vida...

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Dor do outro...

Há uma dor dentro de mim
Que não é dor de amargura.
Não consigo explicar,
Mas é dura, e dura...

Parece dor de afeto,
Que não se sabe onde dói.
É uma dor que se sente,
Como um cupim que rói...

De onde veio o afeto?
Quem me ensinou a doer?
A dor vem desde a infância
E nos ensina a morrer...

Difícil é viver pro outro.
Na infância eu tive família
Tinha briga, afeto e dor
Não o tédio de uma ilha.

Foi lá que eu tive um pai
Que não era como uma mãe
Era pai, mesmo,
Que sente pela dor da mãe...

Há uma dor dentro de mim
Que não sei onde me afeta.
Dura dor que vem do outro,
Como a dor de um pai poeta.

(Homenagem ao meu pai, poeta. 17/12/2010, 58 anos).

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Raizes...

16 de Dezembro de 2009:
"Acordei meio desinteressado com o dia hoje. Até que estava com disposição, mas não vi nada de especial que me atraísse nele. Fui comprar pão cedinho. O dia estava agradável... mas nada especial. Vim pro trabalho mais cedo, já que não tinha nada interessante praquele dia agradável. Cheguei e me distraí numa pasta de fotos de família que salvei aqui pra, de vez em quando, abrir e lembrar das raízes.
As raízes...  
 Não há nada de interessante fora do que nos sustenta. E há algo de muito interessante nisso! Eu acordei e assumi logo o meu lugar, o meu papel a representar, de uma identidade que construí desde as raízes até o dia de hoje!...
 Eu via agora há pouco, entre aquelas fotos de família, as fotos de uma menina Gabriella... na verdade, só as raízes de Gabriella. Quem rega essas raízes? Quem sustenta? Alguém que se identifica na construção de outra pessoa. No contar dos dias e dos anos, na monotonia desinteressante da vida rotineira, nossa identidade se constrói em torno do outro.
Não sei ao certo se estou celebrando a contagem dos seus dias ou dos meus. Mas na sequência dos seus dias, construí a minha identidade. E neste sentido comunitário da vida, o dia fica muito interessante!
 Parabéns!"

(Mensagem de aniversário, de filho pra mãe.)