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quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Periodicidade


      Minha alma é como as
      asas de uma borboleta.
              As vezes abre,
               as vezes voa.
             As vezes fecha,
                e fica a toa.


domingo, 12 de dezembro de 2010

Apresentação do Blog

A nossa vida se firma em certezas... e o que nos move são as incertezas... Você já teve uma dúvida inquietante, e não sossegou enquanto não esclareceu tudo? E as certezas que você têm, até onde são verdade? Quantas contradições vivemos...
Somos tomados de contradição. A própria palavra é curiosa, e me rodeia há pelo menos uns dez anos... Ela diz de coisas de sentidos antagônicos e de um movimento de sociedade a partir dela, nos confrontos. Mas as coisas antagônicas são ditas na palavra com e contra uma suposta tradição que não sabemos de onde vem. Contradição se faz com tradição; E contradição se faz contra a tradição...
Há, de fato, um movimento dialético da vida que nos permite evoluir nos questionamentos à supostas verdades convencionadas. Mas o que é a verdade? São as suas certezas? São as minhas? Já que ninguém é dono da verdade, quem é ela então, que não se rende à nossas frágeis certezas?
De tantas contradições que vivo, nas auto-críticas e críticas sociais, quis fazer um blog, pra canalizar um pouco disso (espero alugar menos os ouvidos dos meus amigos, assim...). As vezes é difícil expor idéias sem demonstrar intenção de convencimento do outro, por mais que eu lute contra isso... Procuro me despir disso aqui, onde o diálogo escrito pode ser mais democrático para uma intenção humilde: compartilhar com outros o que, na verdade, sempre aprendo é com os outros mesmo.
Já houve outras idéias de blogs que quis criar como: “Wilde e os outros...” que diria aquilo, e “Mais um, apenas...”, uma angústia nessa era de excessos... As idéias não foram pra frente. Mas esse blog surge com as mesmas concepções: na relação com os outros, surge mais um peregrino, apenas, querendo compartilhar reflexões simples, algumas em prosas, algumas em poesias, outras em textos mesmo, sem medo de ser questionado! E questione-me! Afinal, não há nada cientificamente comprovado aqui, não sigo nenhuma norma de ABNT nas citações que faço, e as vezes sei que falo besteiras demais, sem saber... Você, seja quem for, certamente pode saber mais do que eu! E se o que escrevo faz ou não sentido pra você, as suas observações podem nos ajudar a crescer juntos!
Lembrando de uma ilustração de D. T. Niles, do Sri Lanka, sou como um velho mendigo que fica empolgado quando descobre onde tem comida, querendo contar pra todo mundo! Amigo(a), as boas comidas que eu descubro e compartilho, você não tem que comer. Mas tomara que não jogue fora. Se algo te servir aqui, e principalmente se te incomodar, vá adiante nessas leituras!
Seja bem vindo!
Wilde Dias

Contra-tradição: dilemas sociais...

Nossas contradições compõem um processo de evolução social que percebo bem de perto nos dilemas da minha vida profissional, como assistente social. A noção dos processos dialéticos de desenvolvimento de sociedade pode nos ajudar a entender isso. Sem complicações, basta ler no Aurélio. “Contradição: (...) 4. Filos. Caráter essencial de tudo que é real: aquele que revela que cada coisa que é só se compreende pela negação de algo que a precedeu”. Ou seja, uma suposta verdade só existe em negação a outra que a precede. E a segunda verdade já precede outra, a ser contradita... E isso realmente nos proporciona desenvolvimento. A contradição nos faz evoluir! Mas, perversamente, isso também ocorre nas verdades de elites predominantes sobre as minorias. Mais ainda, isso ocorre quando nos afirmamos superiores aos outros, reproduzindo desigualdade...
Aprofundando um pouco mais, com algumas “certezas”, do ponto de vista da dialética, da centralidade do trabalho no desenvolvimento da sociedade, me pus a conversar com um amigo de perspectiva antagônica, donde surgiu o debate de que não é o trabalho o grande propulsor de desenvolvimento na sociedade, mas o processo de negociação do produto do trabalho, como grande determinante da produção de valor. Por um lado, o trabalho agrega valor às coisas. Mas por outro, esse valor pode não significar nada, a depender da negociação deste produto. Esse dilema entre as duas visões são a base de amplas divergências ideológicas, políticas, econômicas e, portanto, sociais hoje. Acontece que as duas podem ser verdade... O trabalho realmente agrega valor às coisas, bem como a negociação também pode alterar o valor real das coisas (principalmente com uma publicidade tão evoluída...). 
Ao final, então, me ponho a perguntar: o que é a verdade? Fato é que, independente se o trabalhador é valorizado ou se a liberdade de negociação é que o valoriza (ou desvaloriza), seja como for, o pensamento social ainda não conseguiu resolver o problema da desigualdade...
Aqui encontramos uma enorme limitação de nossas verdades... O processo dialético, de confronto histórico de verdades, proporciona amplas evoluções reflexivas de sociedade, mas não dá conta do processo de dominação presente em todas as relações sociais, e nele próprio... O processo de dominação é causa e conseqüência nas análises de sociedade. A gente estuda e critica a dominação já se sobre-afirmando em relação a outros (em muitos aspectos, não só ideológicos).
Pensando nisso, há alguns meses, eu observava o mundo parado a assistir a primeira Copa do Mundo na África, como um suposto marco, parcialmente que seja, de superação das distâncias sociais entre os povos. Daquela copa, entre os trinta e dois países presentes, saíra apenas um vencedor, supostamente melhor do que todos... Os outros trinta e um, que certamente deram algo de melhor, voltaram todos perdedores. São todos piores? Mesmo que fossem, no futebol, pra que esta organização mundial toda para afirmar quem é o melhor, ao mesmo tempo afirmando, declaradamente ou não, quem são os piores?
É isso que acontece intelectualmente, quando os que “pensam” são os que afirmam suas verdades sobre os que “não pensam”, no direcionamento da sociedade. Mais claramente, é o que acontece nas nossas disputas de empregos, no vestibular, e em muitas áreas da vida. É assim que acontece quando nos formamos, e entramos na guerra corporativista das profissões, as vezes defendendo-se e desconsiderando as relações de desigualdade reproduzida entre todas as profissões, e entre todas as pessoas... Como fugir disso? Acontece assim com cada um de nós, isolando-se ou confrontando socialmente, buscando sempre algo melhor, algo maior, que nunca encontramos em nós mesmos...
Ouvi, então, de um cientista social recentemente, que as tantas contradições da ciência social hoje, faz com voltemos sempre à tradição de seu pensamento. É... contradição também se faz com tradição...

Con-tradição: filosofia do infinito...


Como questionava na página anterior, o que é a verdade? É ilusão concluir a noção da dialética pensando que a verdade são idéias em movimento, apenas. Pois, afinal, onde começa esse movimento? Onde começa o movimento das coisas? E onde vai acabar? A noção do infinito, da eternidade do tempo e da infinitude do espaço, muda muito as nossas perspectivas sobre do que afirmamos, e as nossas posturas com a própria vida. Se pararmos pra pensar, olhando para o relógio ou olhando para o céu, é difícil entender nossa angustiante limitação temporal e física diante dessas eternidades...
Outras incompreensões podem surgir em termos materiais. Penso que a mais profunda ciência natural não deve explicar, afinal, de que é feita a matéria! (Meu amigo, de que são feitos os átomos? De que são feitos os prótons, elétrons... e outras partículas que talvez você conheça melhor do que eu?! Parece que somos uma fumaça...) Bem, já ouvi um amigo doutor (por aclamação), explicar em algumas análises rápidas da teoria da relatividade de Einstein e outras coisas, que as partículas são feitas de carga... ou melhor, luz! Ou seja, nós, por extensão, somos apenas luz! ... É, aí eu concordo! (apesar de que explicar o que é a luz é outro passatempo das ciências... Pare e pense, de novo: o que é a luz? Alguém me responda! Não é um desafio, é só uma dúvida!). Bem... é por esses mistérios incompreensíveis que eu prefiro acreditar em algo além dessas “verdades”. E baseado nisso, digo que contradição se faz com tradição.
E o que é a tradição?  (olha lá no Aurélio!). Não... não caia noutra ilusão aqui de pensar em uma mera verdade dita por alguém, algum dia, num passado remoto, que se tornou a verdade de muitos, durante muito tempo, sem se saber mais o por quê... Afinal, essa verdade só existiria contradizendo outra, e se colocarmos essa sequência dialética de confrontos de verdades numa linha cronológica em retrocesso, vamos novamente cair na incompreensível eternidade! ... Ok! Então, façamos! Porque nela talvez encontremos uma tradição verdadeira!
Pra mim parece que uma grande limitação das certezas humanas está na sua contraposição à eternidade! A infinitude do tempo e espaço, como disse, nos engole em uma insignificância pueril! E é nessa insignificância que Deus se revela a nós como Pai da Eternidade! Uma verdade que excede até a minha capacidade de compreensão de verdades...
Tomando por referência a Bíblia1, essa é uma entre outras identidades apresentada pelo próprio Deus a respeito de si. E outra forma ainda mais intrigante em que ele se apresenta é quando diz de si, simplesmente: Eu Sou! (Exôdo 3:14, João 8:58) Lembro, então, daquela definição do Aurélio, citada na postagem anterior, que diz que “cada coisa que é só se compreende pela negação de algo que a precedeu”. Pensar nisso e olhar para a eternidade do tempo e do espaço nos leva a entender a limitação das nossas afirmações. Mais ainda se pensarmos que nada precedeu a ele! Por isso ele é o princípio e o fim, o pai da eternidade, o Deus que, antes de tudo, já é! (João 8. E não é “era” não, é “é” mesmo, de um Deus atemporal). O Deus Eu Sou significa, pra mim, a própria existência, sem a qual nada seria nada, nada existiria (e o que é o nada?). Derruba-se nisso o sentido de qualquer outra existência fora dele. Nesse sentido, a minha composição material não é nada mesmo... ou é só uma fumaça... ou é apenas luz! Pensando nisso, reflita sobre a luz de novo. Eu sou apenas reflexo de Deus... (ai de mim...).
A partir disso é que afirmo algo sobre a tradição referida. As dialéticas das nossas verdades só se movem a partir de uma verdade maior do que todos nós, mesmo que aquelas sejam contra essa. Mesmo que a contradição seja contra a tradição.
Pra ilustrar uso o exemplo do moinho, um instrumento de produção bem tradicional... e muito moderno! Todo moinho é formado de duas partes principais: uma fixa e outra giratória. É do movimento desta segunda parte que se proporciona desenvolvimento, na atividade do moinho (mói grãos que alimentam, gera energia, etc.). Mas se não houver uma forte base, a parte fixa, essa parte giratória não consegue o desenvolvimento proposto.
Acontece assim com a gente. O movimento da parte giratória são as nossas contradições, que só proporcionam desenvolvimento com muitos atritos e confrontos... E a base fixa é a tradição, que impede a parte giratória de sair rodopiando por aí, sem sentido algum, ou cair dura no chão... Bem, se você não aceita que está preso a esta tradição, pense então que, assim como o moinho, o homem não vive sem água ou ar. E de onde eles vêm?
Essa é uma verdade que descobri, que me firma e que me move... Não que eu seja dono dela, quem sou eu! Quero deixar que ela seja dona de mim! As minhas verdades mesmo são só brincadeiras de criança... são de mentirinha... É como dizia Paulo, então, a tantos correspondentes em Roma: por causa da minha mentira, fica em relevo a verdade de Deus! (Romanos 3:7)
1  O que está dito na Bíblia, pra mim,é algo bem humano e, portanto, divino! Não apenas como uma verdade dita por alguns homens, pra mim. Mas uma verdade que só pôde ser escrita por haver algo bem maior que a precedeu, e que inclusive criou a inteligência humana para tanto, como para outras ciências. E, ainda, uma verdade que dá esperança sobre-humana à nossa efemeridade..., como a eternidade.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Teasers

11/12/2010:
Você já caiu em contradição?

14/12/2010:
Sentir vergonha me faz ser mais sincero...
E ser sincero me faz sentir vergonha...
Você já caiu em contradição?


15/12/2010:
Se procuro, não encontro,
E quando fujo, encontro...
De costas, me confronto...
Você já caiu em contradição?


16/12/2010:
Não foi fácil, eu não queria...
Não é fácil, eu já sabia...
Pelo que faço, teria aflição.
Você já caiu em contradição?


17/12/2010:
Pais com tradição,
Filhos contra a tradição.
E você? Já caiu em contradição?

24-12
Ai ai... hoje tem festa de natal...
E vai cair chuva, transbordarem rios... e desabar algumas casas...

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O natal é bom pra pensar isso:
Quanto mais contato, mais atrito.
Quanto mais próximo, mais confronto.
Ou será o inverso?!... Feliz natal!
www.conttradicao.blogspot.com



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Jan/2011
Os restos dessas redes sociais ficam sedimentados no coração...
Você já caiu em contradição?




08-03
Já que é dia da mulher, vamos falar de sexo? Ou melhor, de sexos!

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Tenho um fusca e um violão
Levo o fusca numa mão,
o violão, na contramão.
Você já caiu em contradição?

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O orgulho é um photoshop no espelho!...
A humildade é um holofote no espelho.
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O orgulho é uma venda nos olhos...
A humildade é uma lupa para os olhos...
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A chuva cai pra molhar o que tá seco
Se não molhou
é porque tinha telhado,
ou porque chove no molhado...