quarta-feira, 15 de julho de 2015

Quando acordei, vi na janela um quadro pintado de cores confusas... Uma neblina branca cobria o vale da cidade até a altura do topo do morro. O morro aparecia discretamente, mostrando apenas o fusco das árvores mais altas, sob o anúncio do sol... O sol riscava uma faixa amarela no horizonte, que dissolvia a noite do alto céu escuro...
Às seis da manhã a gente acorda meio confuso, entre a passividade da noite e a encenação do dia... Enquanto ainda me lembro dos sonhos de durante repouso das minhas emoções, a razão logo dissolve tudo e me exige postura. Não sei bem que razão é essa, que intuo sem possuir. Mas aquela faixa amarela de sol, entre a neblina da minha mente e a escuridão do meu contexto, me revela algum horizonte vivo, duradouro, e muito mais constante. Não... eu não sei bem o que espero daquela linha no horizonte... Mas posso notar que ele é belo... e é pra lá que devo seguir.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

O pais amanheceu de luto com a derrocada da seleção ontem, contra a Alemanha. Alguns anunciam ser hoje uma quarta-feira de cinzas. Apropriado. É uma manhã em que, após dias de carnaval, cai a ficha de que estamos numa condição pueril e que a festa era pura ilusão.
Difícil cair a ficha as vezes... mas uma pancada na cabeça talvez ajude. Foi o que aconteceu ontem. Não por um acidente 'fisiológico', como o da Copa de 1998, ou como vários que alertaram pelo caminho. Não. Foi algo consciente. Um time preparado, que trabalhou sério no seu objetivo, que não se desviou à emoções antagônicas ao esporte, nocauteou o outro time que só vive de emoções, comemorando ou lamentando excessivamente... fantasiado com uma falsa faixa de campeão. Uma boa descrição que encontrei para a seleção brasileira é a de que era um time de vidro, que se quebrou. Chegou a intimidar alguns, talvez, que não notaram sua fragilidade. Mas aí a mascara caiu... ou a fantasia toda. 
E a seleção é um reflexo de todo país. Um país que vive de emoções. Que, por mais que reconheça a seriedade dos seus problemas, não sabe tratá-los na realidade. Alivia as dores com uma festa... um riso... ou um choro... um discurso emotivo de palanque... de rua... que distraia os olhos da realidade. Foi bonita a entrevista do capitão do time, ontem. O cara chorou... e é claro que um choro expressa, do fundo, um sentimento sincero. Mas... Davi Luiz... se o Brasil ganhasse, o sofrimento do seu povo não seria resolvido. Seria "uma alegria"... claro. Válida? Talvez... se soubéssemos tratar nossas mazelas... Mas como tratamos?
Vamos pras ruas?! Fazer nossos líderes de Judas e clamar a ideologia da baderna?! Nããão... A grande massa dos nossos protestantes clamaram pacificamente... Mas me diga... Quantos daqueles milhares de brasileiros das passeatas já foram a um conselho de saúde ou educação, na sua cidade? Ou dos que gastaram horrores para assistir aos jogos, dos que vaiaram a nossa soldado de frente, diante do mundo! Ou dos que dispuseram tanto tempo no voluntariado à Fifa... Quanto trabalhamos de fato, minha gente, por um Brasil melhor?
É a pergunta que faço, é claro, primeiramente a mim. O esporte, que deveria ser uma expressão paralela de trabalho sério, disciplina, união... se mostrou na Copa, no Brasil, tudo que seja o oposto disso. E enquanto tento me avaliar, me corrigir... buscar algo sério a me apegar, encontro em meu contexto uma nação Macunaíma... que só gosta de brincar. A "quarta de cinzas" alemã aconteceu há 12 anos atrás, numa derrota equivalente para o Brasil. Ou... numa rendição política há vinte e cinco ou cinquenta anos... e na reconstrução de um país por inteiro... Mas como eu não estou livre de nenhuma das criticas desse meu desabafo,vou começar arrumando meu próprio quarto...

sábado, 10 de maio de 2014

"Descobri de onde vem a vida... por onde entrei deve haver uma saida..." Viajando nesses versinhos do Teatro Magico, tirei uma liçao importante. É o amor que concebe a vida! E nele vou achar sentido aos desvaneios das minhas trilhas... Seja como for que você o compreende, é sempre por esta forma romantica ou àspera, concisa ou esparsa, de se unir duas pessoas, que se forma uma terceira pessoa. E é por esta forma estranha de se germinar sementes na barriga, dividir nutrientes do organismo, desalinhar as formas do corpo... enfim, de se sacrificar que se gera outra vida. Assim cresce a humanidade. Uma liçao singela que pude apreciar na maternidade adentrando minha casa, e que agradeço à Graziele por ter me demonstrado isso tao de perto. Por que fez? Certamente nao foi por qualquer prazer ou satisfaçao propria, exclusiva. Mas pelo outro, somente. Por amor... E ai penso, entao, que minha mae fez isso um dia por mim também... Da pra dizer hoje com muito mais entendimento, mae: muito obrigado! E parabéns a vocês todas!

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Realidade

Onde estou
Aqui
Onde estou aqui
Onde
Estou aqui onde
Estou
Aqui onde estou
Aqui onde
Estou aqui

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Quem precisa de cura?

Participei na última sexta-feira da reunião de uma associação que está se formando em Viçosa com a finalidade de combater a corrupção no município. Embora a idéia não fosse parte da onda de protestos no país durante a semana, a experiência serviu muito bem pra se pensar nossa inserção política. Durante a reunião, enquanto apresentavam experiências de outras associações semelhantes pelo Brasil, um dos dirigentes provocou-nos a pensar que somos todos igualmente corruptos. Para tanto, chamou a frente um dos líderes do movimento colocando-o diante do seguinte dilema: “Imagine-se ao lado da bifurcação de uma linha férrea, tendo às mãos a alavanca que muda o sentido da bifurcação a ser seguido pelo trem. O trem se aproxima em velocidade acelerada enquanto, num sentido da linha bifurcada, sobre os trilhos, encontra-se um trabalhador ferroviário abaixado, e no outro sentido encontra-se um grupo de estudantes distraídos num protesto. O trem inevitavelmente seguirá um dos dois sentidos e você, com a alavanca nas mãos, deve decidir para qual deles. Após pensar um pouco na situação, o cara respondeu: “Eu o direcionaria no sentido do trabalhador ferroviário já que assim o trem atropelaria apenas uma pessoa, e não um grupo. ” Aí o dirigente, após confirmar que esta era a atitude mais ética e correta a se fazer, continua: “Agora imagine se no lugar daquele trabalhador estivesse o seu filho, com cinco anos de idade. Sua decisão deve ser rápida.” O cara hesitou um pouco mas assumiu: “Eu o direcionaria ao grupo de estudantes...”. O dirigente encerrou deixando a lição que pra mudar o mundo é preciso primeiro enfrentar a si mesmo.

É difícil assumirmos, numa postura de humildade, essa nossa condição corrupta... A gente usa todo tipo de subterfúgio pra tirar de si a culpa. Mas o fato é que o mal que nos incomoda tanto lá fora, começa dentro de nós mesmos... Egoísmo/egocentrismo, roubo, ambição desenfreada, cobiça alheia, orgulho, ira... Quais são os seus pecados? Dívidas não pagas, impaciência com os filhos, ou com os pais..., "gatos" com fio de internet, atestados de má fé, trabalhos e provas copiados, desrespeito no trânsito, demagogia, falta de diligência e intrigas no trabalho... A lista é bem maior do que o número de pessoas que a assume. Houve uma ocasião, no início do século XX, em que o jornal London Times pediu que alguns escritores respondessem à pergunta: "O que há de errado com o mundo?" Um deles, G. K. Chesterton, filósofo e cristão católico, respondeu-lhes em quatro linhas:
“Prezados senhores,
Eu.
Atenciosamente,
G. K. Chesterton.” (Ortodoxia)

Aí eu me ponho, então, diante daquele dilema na linha férrea tendendo, é claro, à decisão corrupta. E imagino, associando o fato a um contexto político, se eu pudesse receber algum tipo de orientação popular, um conselho que seja, que me fizesse pensar e assumir a postura que seria ética fazer... Eu me arrancaria os cabelos... me jogava ao chão em prantos e, urrando angustiado... (não sei se realmente conseguiria) faria o correto... agindo contra a minha vontade...
Fonte: V de Vinagre

Ouvi neste domingo uma reflexão sobre um momento auge da vida de Jesus, em que ele passou por experiência semelhante, ou muito pior, no jardim do Getsemani. Jesus, sendo Deus, sabia que estava prestes a ser preso, açoitado e morto pelos soldados romanos. Recolheu-se ao jardim com mais três discípulos e também amigos que talvez pudessem lhe dar algum apoio. Pôs-se a orar, angustiado pelo que o aguardava. Pediu a Deus Pai que, se possível, evitasse o sofrimento que estava para acontecer. Os amigos que vieram em sua companhia dormiram... E ele mais angustiado, repetia “Pai, se for possível, afasta de mim este cálice. Mas que seja feita a sua vontade...” Como é dificil agir contra nossa vontade... Segundo relata a Bíblia, sua agonia era tanta que do seu suor passou a escorrer sangue pelo corpo. Instantes depois chegaram os soldados. Pedro, um dos discípulos, ergueu espada para o defender, ao passo que ele o ordenou de imediato que a abaixasse pois aquilo lhe devia acontecer. Somos ensinados que por este seu ato de entrega e sacrifício, hoje podemos nos libertar desta nossa condição tão falha. Bem... isso quando aceitamos que somos mesmo falhos...

Pois então... quanto a isto, houve outra ocasião em que Jesus, assentado entre pecadores, percebia uns que questionavam por que ele estava entre aqueles, e lhes respondeu alto: “Os sãos não precisam de médico e sim os doentes.” Os doentes... só os doentes precisam de cura... É o que penso quando percebo minha fraqueza... quando me ataca a ira, quando sou tentado à cobiça... Penso logo em assumir o meu erro e ir correndo em busca de cura. Afinal, só quem é são não precisa de cura. E só se eu assumir a minha fraqueza é que posso aceitar alguma ajuda pra fazer o que é certo. Ah! E é claro que só assim eu posso ajudar o outro também. E não me resta dúvida de que este é o caminho para minha vida. E esta é a verdade sobre a nossa sociedade.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Carnaval é festa de quê, mesmo?!

- Alguns são presos com drogas que seriam vendidas no carnaval em Ouro Preto... - Adolescente é apreendida com metralhadora em BH... - Aids é uma incógnita para maioria dos jovens brasileiros... -Jovem salva a namorada e morre atropelado por motorista alcoolizado... Essas são algumas das notícias que li hoje cedo, à véspera de um feriado que me levanta a questão: O que se celebra no carnaval?!

Lembro-me do que escrevi sobre o carnaval, ano passado, descrevendo-o como suposta festa religiosa (Oba Oba, carnaval)... Mas pensando mais um pouco, hoje eu diria o oposto. O carnaval é uma festa anti-religiosa (claro...). Não num sentido crítico, racional, maduro, como necessitamos contra uma religiosidade farisaica, materialista, estetica, e cegamente ritualística. Ao contrário, o carnaval se apresenta como a negação da razão, do equilíbrio e, assim, da conciliação da humanidade à sua essência espiritual.

Não quero discorrer sobre qualquer sentido verdadeiro de religião, ou argumentar a existência dessa espiritualidade, que dia a dia clama dentro de mim por algo mais essencial do que essa carnalidade vazia. Mas, a despeito dos sentidos racionais de rituais religiosos, o carnaval surgiu associado ao calendário católico como uma festa de consumo excessivo de carne, à véspera da quaresma, quando propunha-se suspendê-la da dieta dos cristãos, em busca de equilíbrio e domínio próprio. Algo como uma festa do desequilíbrio, em prol do equilíbrio...

Não é nenhuma novidade, isso, nessa nossa tendência tão pecaminosa. De fato nós humanos (eu, inclusive) nunca quisemos equilíbrio algum, como verdadeiramente propõem as doutrinas religiosas. E não é uma prática ritualística impensada que vai nos doutrinar cegamente sobre algum equilíbrio necessário.

Não... não uma prática ritualística... Mas talvez a minha própria razão me chame à atenção desta necessidade por equilíbrio. Uma razão que não se encerra em rituais, e nem se resume à fisiologia do meu cérebro ou do meu corpo. Mas uma razão que me conecta diretamente à existência de um "Bem" maior do que esta minha condição material tão miserável. Uma razão que dá sentido real às nossas celebrações, que não se encerram em nós mesmos, ou numa satisfação pessoal qualquer.

Como já disse, eu também gosto de festas, curtir amigos e celebrar algo que realmente tenha sentido na vida. Mas na minha comunidade ampliada, nas notícias que leio, ou no contexto que assisto passando na janela, parece que o carnaval não representa isso, e me serve mais pra revelar o quanto nós, humanos, realmente precisamos de mais equilíbrio... É chato dizer, né? Mas pra quem é feito só de carne... como um pedaço de pau oco... ou como quem é feito de ferro, mesmo..., que celebrem a vontade o desequilíbrio insaciável do carnaval. #Bom Carnaval...

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Sonhos...

As aves não erram
os homens perdoam
As aves não sonham
os homens não voam
Não permita, Deus, que eu sonhe além da realidade.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Eu tenho um fusca,
um violão,
e um aperto no coração...
As palavras de uma canção
são como pedras no coração...
Meu melhor amigo
é meu violão...
Mas bem que podia ser uma pessoa...


quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Periodicidade


      Minha alma é como as
      asas de uma borboleta.
              As vezes abre,
               as vezes voa.
             As vezes fecha,
                e fica a toa.


terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Feliz natal, por que?

Nesses dias próximos ao Natal, deve ter muita gente questionando essas convenções de fim de ano que nos impõem sem muita reflexão... Não sei qual consideram pior, se a do "nascimento de Jesus", a do papai noel, ou a que mistura os dois dizendo que o "nascimento de Jesus" é a garantia dos melhores presentes e de bons fluídos para um "próspero ano novo"... O problema disso é a espetacularização imaginária de uma realidade muito mais profunda do que nossa parca visão das coisas... E, por isso, realmente devemos questionar algumas "crenças"... Neste sentido, o questionamento que eu levantaria aqui não seria tanto sobre a comercialização espetacular do natal. Mas sobre o que chamam de "o sentido do natal": o nascimento de Jesus. Isso tem algum sentido mesmo? Ou é mais uma historinha inventada pelo fenômeno da religião? Não que eu desconfie dos registros bíblicos (assim como não desconfio dos registros de Newton sobre a Lei da Gravidade). Mas que sentido tem aqueles relatos de que Jesus era o próprio Deus que veio à terra? Aliás... Deus existe? E se sim, pra que ele veio? Por que Cristianismo? É difícil responder às questões num pequeno texto de blog. E se você espera que eu responda, desista da leitura e não volte antes que esteja disposto a encontrar suas próprias respostas. Mas nunca desista de encontrar uma resposta que faça sentido aos seus questionamentos.

Sobre a existência de Deus, nossas argumentações humanas nunca serão capazes de descrever ou comprová-la. Isso porque ele é justamente aquilo que está além da nossa capacidade de entendimento (e não compreendemos tudo!). Mas é curioso notar que esta existência inintendível está bem diante de nós, marcando cada pulso do coração e dando misteriosos sentidos à nossa racionalidade... Não numa forma mística, paranormal, numa realidade alheia à nossa. O espaço infinito acima da minha cabeça, a eternidade do tempo (no futuro e no passado), a harmonia da natureza e os mistérios da razão, que é muito mais inteligível do que as reações físico-químicas que ocorrem no meu cérebro, revelam assombrosamene a existência desta divindade, e em constante relação com minha materialidade. Mais do que isso, revelam a insignificância da nossa condição material (afinal, do que é feita a nossa matéria?). E é justamente por esta incapacidade de entendimento da "existência" é que sou levado a crer. Não como um covarde que desista de pensar. Crer, na verdade, é um ato de humildade do que pensa e reconhece seus próprios limites. Pensar nessas coisas nos causa um confronto que reduz nossa "enorme" existência à uma miserabilidade desgraçada... E reconhecer-nos esta condição nos aproxima do Deus que é, ele próprio, a Existência. Pense bem: a partir do reconhecimento desta condição pífia da nossa humanidade é que nos relacionamos com Deus. Não reconhecer isso é orgulho insano, do qual se originam os maiores males da humanidade. É como se esse computador que você usa agora se rebelasse contra você e resolvesse pensar por conta própria, querendo produzir seus próprios textos, criar ideologias próprias, buscar seus próprios prazeres e suas próprias fontes de energia... tudo para a exaltação de sí mesmo, pobre computador... Pois esta é a nossa pobre condição humana, sem aceitar nossa miserabilidade... Nesta condição, o questionamento maior seria: o que será de nós? E a partir disso podemos pensar em alguma verdade sobre o cristianismo.

                                                       NATAL: Rembrandt

O que será de mim nessa vida esfumaçada, num universo tão limitado, com um tempo tão curto que me faz sentir-me dissolvendo como um castelinho de areia sob uma garoa constante...? E tendo eu uma tendência tão rebelde...? O que seria daquele computador se não pudesse voltar atrás em sua rebeldia?... Nos voltamos, então, aos registros históricos onde se relata a materialização daquela "Coisa Eterna" e incompreensível, a encarnação daquele Ser de onde vem o sentido das nossas "razões". A Existência, em sua plenitude, manifestou-se em forma humana para nos mostrar em nossa própria linguagem o que é a esperança, o bem, ou o que é o amor que nos move... É isso que ocorreu na concepção sobrenatural de Jesus, o Cristo. E isso é celebrado no Natal. A Eternidade que se materializou para nos mostrar quão pobre é a nossa noção de "bem", e, portanto, quão insaciáveis nós somos, em nós mesmos... Não acredito que isso seja apenas mais uma doutrina religiosa, ou uma filosofia qualquer, inventada por algum homem, algum dia, que o permitisse se sobre-afirmar numa estratégia engenhosa de dominação... Na verdade, o cristianismo é a maior afronta à dominação humana, uma vez que diante dele somos todos duramente confrontados por nossa incapacidade, e chamados ao serviço, à rendição e à subordinação (por mais que os homens insistam em deturpá-lo). E esta condição de subordinação é que dá sentido à nossa existência, sem que possamos fazer qualquer esforço pra isso, sem mérito humano algum... A Graça, um favor imerecido do Deus Eterno que se aproxima de nós para nos resgatar desta condição lastimável, é a verdade do cristianismo celebrada no Natal. O reconhecimetno da miserabilidade humana e da incapacidade de auto-sustentação subordina todos, igualmente, integralmente, humildemente e inevitavelmente à existência do Bem e da Eternidade de Deus. Ainda "bem"!

Ainda bem que não nos bastamos em nós mesmos, e que há algo mais eterno do que esta minha efemeridade sem sentido... Ainda bem que a justiça não se consolidará por nossas mãos tão sujas... Ainda bem que a esperança nos foi revelada! Ainda bem que a nossa rebeldia é perdoada... E ainda bem que eu tenho a chance de voltar atrás e reconhecer que não há sentido em minha auto-suficiência... Ainda bem que Jesus nasceu... (Obrigado, Deus...). E aos meus fraternos, que comungam comigo deste desejo, desta esperança... e com quem exercito diariamente aquele amor revelado, eu quero que celebrem felizes o natal... Feliz natal!

domingo, 11 de dezembro de 2011

O Violoncelo...

Guardei na memória o sentimento vivido em minha primeira apreciação iconográfica. Foi recente, quando vi o quadro "O violoncelo...", de Sérgio Ramos. Senti a emoção de uma paixão a primeira vista... Aliás, à segunda vista... pois a primeira não me permitiu a percepção de sua beleza clássica, oculta entre os riscos de uma cidade... Um violoncelo perdido na cidade... curvas clássicas obliteradas pela geometria urbana... arte dissolvida numa era de excessos... Apenas o nome dado ao quadro é uma palavra tão bela que bastaria escrevê-la numa tela em branco e o autor já teria uma arte completa... Violoncelo... soa pra mim como uma poesia completa... uma poesia de uma palavra só... Uma palavra que dá nome a um instrumento de singela emoção humana... Mas a emoção embuída em seu símbolo, a doçura do seu nome, e até a dor que ecoa das suas cordas, foram todas aprisionadas na figuração deste quadro... A poesia do violoncelo foi transformada em imagem... E quantas palavras eu leio nesta imagem?... Enquanto olho quieto para o quadro, leio versos, prosas, romances e clamores... Vejo o agito das cidades e a quietude das almas... Sinto a força da usura e o peso das nossas maldades... cravadas e escondidas no fundo de belas edificações... Vejo a luta de gente humilde, e a busca de uma verdade que nos faz sofrer... Vejo a vida tentando renascer...  Muita coisa vejo na arte de "O Violoncelo"... Muita coisa... Mas me falta uma... ouvir o som de um violoncelo...

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Meu próximo, à distância...


Reencontro de 10 anos da ABU-Pós (Nov/2011)


 Amigos... É verdade o ensinamento bíblico que diz que há amigo mais chegado que um irmão... Embora pareça estranho, é agradavel essa curiosa proximidade dos amigos... Há amigos mais chegados que irmãos, que pais, tios, primos e até mais chegados do que uma esposa! E isso é muito bom... É bom porque se me bastasse só a amizade da família, até essa seria só família, sem amizade... sem o bom tempero da distância próxima de uma amizade... Os amigos são joias raras de se ver... A gente não vê os amigos todo dia. E o encontro de amigos é sinônimo de festa. É com os amigos que a gente encontra pra celebrar, pra brincar... e é com os amigos que a gente senta pra conversar... horas a fio... É com amigos que a gente põe a conversa em dia, depois de dias que não se teve amigos... Conversar com um amigo é falar noutro idioma, e ser compreendido... Só um amigo entende à distância... A amizade é um calor que aquece à distância, e faz a distância virar saudade, como um afeto de longe... Amigo é a outra pessoa que conhece a distância da gente... Amigo é outra pessoa que sente a distância da gente... E a distância de um amigo revela a proximidade de um afeto... O afeto de um amigo revela a proximidade de uma distância... A proximidade de um amigo é maior que qualquer distância... Tem amigo que é mais chegado que um irmão...

sábado, 15 de outubro de 2011

A vergonha do meu orgulho...

Se há um mal universal, nesse mundo tão ruim, e que persiste insistente sobre a nossa histórica luta pela paz, esse mal é o orgulho...

Orgulho tolo... e não é nada fácil escrever sobre ele. Até porque quem escreve é só mais um desses espécimes "virís", especialistas em esconder as próprias mazelas... Sim... eu sou mais um pobre orgulhoso... E se você não reconhece o seu orgulho, cuidado! Esse mal nos cega tanto que tendemos a esconder as nossas mazelas até de nós mesmos!...

Tamanha a tragédia, desse pecado capital... que é certamente o grande causador de tantos outros males, nessa humanidade perdida... Guerras entre as nações, violência nas cidades, assédios no trabalho, ganância nas igrejas e... rebeldias insanas pelas ruas... É... pior ainda é sair gritando pelas ruas, exibindo seus orgulhos... Orgulho de que?!
 
                                    By: Eula´s World
NÃO! Eu não tenho orgulho de ter orgulho!... eu tenho vergonha do meu orgulho... Eu tenho vergonha desse mal que aflige o homem que não assume a sua fraqueza... Eu tenho vergonha de não assumir meus próprios erros... vergonha de ser tão inconstante... vergonha de não me aceitar na simplicidade da criação divina... E que loucura é não aceitar isso!...

Que me perdoem as minhas amigas por uma confissão indecorosa... (minha esposa me conhece mais ainda... pior ainda...), mas preciso assumir que tenho uma trágica tendência à poligamia! (Isso é natural?!). Tamanha a loucura disso que, se nos faltasse mais vergonha, logo teria gente gritando nas ruas "Basta, de polígamo-fobia!"... Orgulho insano... Se bem que, na verdade, não acho que exista tanta fobia por isso não. Só uma culpa, mesmo. Algo pessoal... E penso até que "seria discriminatório, se tratassem os polígamos de forma diferente dos demais pecadores..." (Se você ainda não entendeu minha confissão, eu sou um pecador! E que o meu orgulho não me esconda essa verdade...). Aliás, dizem os psicólogos que o orgulho nada mais é que uma auto-defesa dos nossos complexos e culpas...

Pois, então, eu prefiro assumir a minha culpa, e preservar a sanidade sobre a vergonha do meu orgulho... a sobre-sanidade de me pensar além do meu próprio entendimento... além da minha (in)capacidade de me entender, nessa condição tão miserável... além dos meus desejos insaciáveis, além de mim mesmo... Contra esse orgulho, eu ainda tento me negar... E negar-me, a mim mesmo, é a maior afronta ao meu orgulho...

Negar-se a sí mesmo é o maior desafio para os que querem "amar-vos, uns aos outros"...

domingo, 9 de outubro de 2011

A morte de Steve Jobs: entre a razão e o coração...


A morte de Steve Jobs chamou uma atenção significativa do mundo, essa semana. O fato me pareceu realmente impressionante, considerando a interrupção trágica de uma carreira tão influente, bem no seu auge. Mas, embora eu não tenha conhecido muito a sua carreira, e muito menos sua pessoa, um pensamento dele me chamou mais atenção.

"Lembrar que estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que já encontrei para me ajudar a tomar grandes decisões. Porque quase tudo - expectativas externas, orgulho, medo de passar vergonha ou falhar - caem diante da morte, deixando apenas o que é importante."

Interrompo aqui a continuidade do pensamento para dar um destaque à essa primeira parte, que nos revela uma verdade inquestionável. Não há confronto mais duro nessa vida do que a certeza de que todos morreremos um dia. E qualquer expectativa desses nossos corpos de fumaça morrerão juntas com o orgulho de quem não assume a sua fragilidade... E, enquanto leio essa primeira parte de seu pensamento, vislumbro o que, então, deve haver de importante, e que está além da efemeridade dessa vida... Que esperança nos resta, diante da morte, se não a de que a vida não se resume a uma materialidade visual, e que há certamente uma eternidade bem maior, e que nos ensina a viver? O confronto diante de Jobs, é o mesmo diante de todos nós. Mas será quanto que as "grandes decisões" tomadas condizem com esse confronto?

Bem... a lição que Jobs tirou para suas decisões, ele resumiu assim: "Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira que eu conheço para evitar a armadilha de pensar que você tem algo a perder. Você já está nu. Não há razão para não seguir seu coração." É... talvez seja mesmo um caminho mais fácil, seguir o coração... E bem apropriado diante de uma situação de confronto... Mas eu penso que lembrar da minha morte não me evita armadilha nenhuma! Ao contrário, apenas me revela que já fui tragicamente capturado pela armadilha dessa materialidade carnal. E que, enquanto eu estiver nela, (quase) tudo já está perdido! Quase tudo... exceto a minha capacidade de pensar, e não agir por emoções...

Se um dia você se deparasse numa emboscada selvagem e tivesse, de um lado, uma onça feroz numa ameaça eminente de atacá-lo, e de outro, uma pessoa com quem sonha, te chamando atraentemente para viver uma paixão, não pense nem por um segundo em seguir seu coração! Pois um pequeno desvio de seu olhar, fito naquela onça, já seria suficiente para você ser consumido, na emboscada que já caiu... O caminho para sair da armadilha dessa vida não é nada fácil... Ou você pensa estrategicamente, buscando o sentido e a verdade sobre a vida, ou se perde em seus desejos (in)satisfeitos, que serão todos aniquilados, um dia, pela morte...

"Nossa capacidade de pensar é o poder de Deus comunicado à nós." (C. S. Lewis).

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

primavera e casamento...

Num dia de primavera...
acordo cedo pra sentir a brisa na janela,
anunciando a renovação da natureza...
Depois de tanto frio,
tanta seca,
tanta poeira acumulada,
e uma paisagem amarronzada na floresta...
enfim...
promessas de chuvas,
de clima suave...
árvores verdes
e mangas doces pra me lambuzar na sobra fresca...

Num dia de primavera...
eu sento quieto numa grama molhada,
pra vislumbrar um horizonte claro e cheio de vida...
pra não deixar morrer meus resquícios de esperança...
enquanto lamento as folhas secas que cairam,
as lágrimas frias que escorreram...
e as mazelas ocultas que foram desnudadas
dentre os galhos daquela árvore que se renova... 

Num dia de primavera...
eu me ponho a sonhar...
olhando para a terra, de onde brota a vida...
num pedacinho de terra, onde projeto a vida...
Enquanto a vida luta pra viver
na secura desta terra...
eu vislumbro uma árvore grande
e cheia de flores, no futuro,
enfeitando uma casinha simples,
onde vejo sol nascer...

Num dia de primavera... 
eu encontrei uma mulher de branco... 
com nome de graça...
assentada numa praça
com nome de liberdade...
mas que também podia ser...
eternidade...
E enquanto eu vislumbro quem será esta pessoa...
por trás daquela imagem bonita,
que se conhece no casamento...
eu alimento minha esperança
com o que haverá além do horizonte...
além dos dias maus...
que se renovam  
num dia de primavera...

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Momentos...

"Tô precisando viver fortes emoções"... dizia a postagem de uma amiga, com o comentário: "o problema é quando vira rotina, fica entediante"... Pensei em comentar também, mas meu dedo rolou abaixo, no mouse, antes que minha mente fosse capturada por alguma proveitosa reflexão... Até que, logo abaixo, outra postagem dizia: "A vida é feita de momentos..."    momentos...    momentos...    momentos que ecoam friamente na memória, enquanto assisto a vida atropelando feroz as carências da minha alma...

Até quando duram aqueles momentos? Até quando duram minhas fortes emoções, que me fazem vibrar radiante como a corda grossa de um violoncelo que soa perdida pelo ar...? Até quando... Até onde irei com essa minha insaciedade, sempre querendo mais do que a simples trivialidade de uma natureza completa? Até quando buscaremos a mudança do que é bom, o aumento do que já basta, mais comida do que sacia, trocar de carro porque tá velho, de celular porque tá ultrapassado, de computador porque a tecnologia já superou a sua própria capacidade de suportar-se a si mesma...?


O casamento já não dura, o namoro nem começa, e "ficar", quando perde a graça, causa um vazio grande em quem não quer "ficar" sozinho... Por que não dura? Por que não pode ser profundo o relacionamento de quem não quer apenas ver, mas quer conhecer... bem além daquela maquiagem borrada de lágrimas frias...?

Viajar... não tem graça se passar de uma semana... Um dia já basta pra conhecer o Coliseu, porque o importante mesmo é ter um carimbo romano no passaporte... E o turismo virou uma epidemia gostosa pra quem só quer ver, sentir, passar por pequenos momentos vazios..., numa imensa eternidade do ser...

Mas se não te basta ver, chega perto e toca! Pegue na ferida de quem te chama pra ser teu amigo... Se relacione com as mazelas de quem te feriu... Demore onde está, até que o "estar" se transforme em "ser"... E seja... muito mais do que em momentos frios de uma vida sem sentido... Seja, por toda a eternidade...

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Agora chega!


A música Construção, de Chico Buarque, anteviu a agonia: “E flutuou no ar como se fosse um pássaro. E se acabou no chão feito um pacote flácido. Agonizou no meio do passeio público. Morreu na contramão atrapalhando o tráfego...” Anderson Fidelis
Anderson dos Reis Fidelis, 30 anos, marido de Juliana e pai de Bianca (de apenas 8 meses), pedreiro, congregado batista de Teixeiras, foi o protagonista da semana em uma das tragédias envolvendo as construções de Viçosa. Denúncia!
Denúncia cruel de uma sociedade ambiciosa que valoriza o acúmulo de riqueza em total desprezo pela vida humana. Gota d’água
Gota d’água para mim e para outros que estamos perigosamente, passivamente, escandalosamente calados. Se Anderson teve ou não culpa na queda. Se a empresa de construção proporcionou ou não a segurança. Não é o caso. O caso é que as construções continuam perversamente fazendo vítimas visíveis ou invisíveis, trágicas ou sutis, pessoais ou coletivas, que se tornam, apenas, assuntos curiosos de nossas conversas. Crescem as construções sem qualquer respeito ao ambiente, à natureza e ao ser humano. Protesto!
Eu protesto: iniquidade! Eu grito: desumanidade! É extremamente injusta a usura imobiliária de Viçosa. É de longe o nosso maior pecado social. O que fazer?
O que fazer diante da denúncia? Chorar e agir!
Chorar – porque é vergonhoso e ímpio. Agir – não participando na construção de prédios para ganhar mais dinheiro; não participando da especulação imobiliária; não participando no reajuste abusivo de aluguéis; não participando na compra de mais imóveis; não participando no acúmulo de bens. Aí, sim!
Aí, sim, poderemos nos unir, pôr a boca no trombone e dizer em alto e bom som: Chega!
Jony de Almeida
(Texto publicado no boletim da Igreja Presbiteriana de Viçosa, em 28 de Agosto de 2011.)

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Limites

Quais são os seus limites? Tenho pensado que um grande problema do ser humano é não reconhecer-se como um ser limitado, em determinados aspectos. Li numa análise, certa vez, que o mais genuíno dos pecados humanos é o de não aceitar-se simplesmente como homem, e querer ser como Deus (segundo o relato de Genesis, na Biblia). Mas... mesmo que você não acredite na Bíblia, me diga: você (re)conhece os seus limites?

Me parece que é justamente nesta interseção das limitações humanas que nos encontramos com Deus. Não é difícil perceber isso. Ao pensar sobre a infinitude do tempo ou do espaço, por exemplo, por mais que a tentemos “aprisionar” em contagens astrológicas ou cronométricas, o infinito não é totalmente compreensível apenas por essas contagens. Se você olhar por um minuto para o céu, para além das estrelas, tentando responder para onde especificamente está olhando, poderá encontrar-se num grande conflito de compreensão do infinito... ou responder, vaziamente, “para o nada...” (e o que é o nada?!) O mesmo ocorre com o tempo. Afinal, quando começou tudo? O que havia antes do começo? Ou o que haverá depois do fim? Em relação a nossa pequena existência, o tempo e o espaço são um universo eterno... E como nos relacionamos com esta eternidade?

Ainda, outro elemento que curiosamente nos revela limitações é a nossa própria razão. Contraditoriamente, é por ela que evoluímos, mas é também nela estagnamos na incapacidade de compreender os limites da nossa evolução. É certo que não podemos explicar tudo, na vida. Por mais profundas que sejam as explicações científicas da natureza, ou as fórmulas da matemática, há elementos que extrapolam a ‘naturalidade’ humana, como o infinito, limitando a nossa capacidade de compreensão da vida.

Mas isso é curioso porque o conflito que vivemos para a compreensão dessas verdades é um fator puramente racional. Racionalmente, não podemos explicar essas questões, nos encontrando, ao mesmo tempo, com o limite da natureza dos fatos e o limite da nossa razão. E pensando nisso, eu perguntaria: o que é a razão? Será simplesmente um conjunto cefálico, composto de átomos energizados que, reagindo entre si, são capazes de criar formulas matemáticas escabrosas e fora de si? E, se for assim, vale lembrar a citação de Lewis (Milagres, p. 29), do autor Haldare (Possible Worlds, p.209): “Se meus processos mentais forem inteiramente determinados pelo movimento dos átomos em meu cérebro, não há razão para supor que minhas crenças sejam verdadeiras (...) e, portanto, não há razão para supor que meu cérebro seja composto de átomos”. Embora o nosso raciocínio lógico das coisas aconteça a partir de reações químicas, de uma natureza física, é certo que a razão não se limita a essa materialidade. Assim como o tempo é muito mais eterno do que meu limitado relógio, a ‘Razão’ é muito maior do que minha lenta racionalidade... E, seja ela como for, há sim uma razão maior, uma verdade, que todos nós buscamos. Para encontrá-la, no entanto, é preciso reconhecer que ela nunca será nossa, pobres seres limitados.

Pode ter sido uma viagem pensar no infinito, ou na subjetividade da razão. Mas sejam nesses, ou nas nossas emoções, na dor, ou nessa vaga materialidade de fumaça dos corpos, nas “fracas forças” físicas, no sono, ou até nas (des)harmônicas relações sociais, podemos perceber rotineiramente que somos seres miseravelmente limitados. Mas, por outro lado, nas alegrias, nessa natureza cheia de vida, no re-vigor da alma ou na harmonia de uma música, percebemos a certeza de uma relação desta frágil e limitada humanidade com algo muito mais forte e infinito. Justamente quando percebemos a nossas limitações é que podemos vislumbrar o que é eterno. Reconhecer nossos limites é o primeiro passo para encontrarmos com a eternidade de Deus.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Escolhas

Eis aqui um dos maiores dilemas do ser humano: sua dolorosa capacidade de escolha. Parece lógico, mas as vezes é bem difícil aceitar essa nossa responsabilidade de decisão. Mesmo que eventuais tendências naturais ou influências do meio camufle essa verdade, está bem diante de nós a diversidade de opções, opiniões, caminhos ou estilos. Escolho o mais fácil ou o mais difícil? Ir ou não ir? Beber ou não beber... Crer ou não crer? Ser ou não ser?

Há quem escolha casar e quem escolha se separar. E há quem escolha amar (acredite, isso é uma escolha!). Ou há quem conte com a sorte... Mas até pra isso, você faz escolhas. E acomodar também pode ser a sua escolha, diante de duros dilemas... Escolhas por sonhos ou pela realidade... escolha sexual ou pela "não-opção" sexual. Escolha por Marx ou por Bolsonaro... Por Lewis ou por Freud, ou por uma convicção bem pessoal, vazia ou fundamentada. E há quem escolha não ter convicção nenhuma... E não escolher nada também é uma escolha.

Aposentar na velhice é uma escolha difícil... tão difícil quanto escolher a carreira, na juventude. E depois... escolhemos que cara vamos ter, no trabalho... e a nossa identidade é uma escolha meio esquecida... Mas não tem jeito. Nós temos que escolher o que queremos ser.

Até pra ser feliz, é a gente que escolhe... independente das circunstâncias. Você pode até acusar as influências sociais, ou tendências naturais no curso da sua vida. As vezes parece que leis naturais e racionalidade divergem, um pouco... Mas encontrar suas afinidades, também é escolha sua.

E se, pensando nisso, você não toma uma atitude, só não me diga que "seja o que Deus quiser". Porque maior dilema ainda é aceitar que Deus quis assim... que fôssemos seres racionais e capazes fazer escolhas... (bem... mas será que Deus existe?!). Você vai ter que fazer a sua escolha.